Voltando ao Assunto

Publicado por em ago 19, 2004 em Blog | 8 comentários

Minha mais recente descoberta por aqui foi o óleo de castanha do Brasil. Este em questão chama-se Amazon Flame Brazil Nut Oil. Experimentei hoje no tempero da salada e confesso que ficou muito bom. O óleo é bem claro, e é bem mais suave que o óleo de oliva. É extra virgem, extraído a frio e, de acordo com o rótulo contém 30% dos ácidos graxos ômega 6 essenciais e é uma das maiores fontes naturais do mineral selênio. Além disso tem o selo de Ôrgânico e de Fair Trade (Comércio Justo). Comprei numa loja muito legal que tem aqui perto de casa chamada One World , que só vende produtos Fair Trade.

Prá variar, como todos os outros produtos a base de Castanha do Brasil que tem por aqui, esse não é proveniente do Brasil. É produzido por uma empresa do Perú chamada Candela. É engarrafado (aliás, numa garrafinha bem maneira) no Perú para uma empresa chamada Equal Exchange , que está baseada aqui em Edinburgh. Uma garrafinha de 250 ml custou 3.60 libras (o equivalente a quase 20 reais). Essa mesma empresa vende uma vela maneiríssima, feita com o coco da castanheira.

Eu sei que o Perú também tem uma parte da floresta. A Amazônia não é somente brasileira, e outros países da América do Sul também tem direito sobre ela. O que estou querendo discutir com a história da Castanha do Brasil é porque não existem iniciativas desse tipo no Brasil? Ou se existem, porque estão tão escondidas, que eu não acho?

Essa loja que mencionei que só vende produtos Fair Trade, tem coisas de todas as partes do Mundo, mas nada do Brasil. Antes tinham uns artesanatos (colares, brincos, anéis) feitos de coco, mas agora nem isso tem. O Brasil era o maior produtor de cacau do mundo, e agora todo o chocolate orgânico e Fair Trade vem de Belize e da África. Foi também o maior produtor de café, e não tem uma marca de café proveniente do Brasil que seja Comércio Justo e Orgânico por aqui. Tem da Guatemala, da Colômbia, dos países Africanos, do México. Mas do Brasil não tem. Castanha de Caju também não é do Brasil. Farinha de mandioca também não.

Enquanto isso, o Brasil insiste em plantar soja e ser o maior exportador de carne do Mundo. O que de Desenvolvimento Sustentável e Comércio Justo não tem nada.

O que se acha facilmente aqui é limão do Brasil, aquele que no Brasil chamamos Tahiti, o da famosa caipirinha. Mas custa 0.20 libras a unidade (1 real por limão!!!!). Também se acha mamãozinho papaia, daqueles bem pequeninos. O preço: 1 libra a unidade (a bagatela de 5.50 reais!!!). Será que tem algum Comércio Justo nessa história?

8 Comentários

  1. Vou tentar te explicar o que acontece no mundo do organico e quais sçao as nossas dificuldades.
    Primeiro os produtores de Brazilian Nuts(Castanha do Pará) näo se concientizaram que tem que agregar valor ao produto, preferem vender as nozes do que ter o trabalho para efetuar o devido processamento destes produtos,näo fazem planejamento a longo prazo, o mercado mundial de organico mundou muito nestes ultimos tres anos, hoje as grandes companhias estäo entrando no mercado e dentro de breve infelizmente os pequenos produtores väo está somente em um pequeno nicjo de mercado, pergunto de quem é a culpa, acredito que seja nossa mesmo, como todo mercado deveriamos nos adequarmos a ele. Infelizmente mercado é predador.
    Quanto ao Café, passamos também por um processo de acomodaçäo, acho que é uma quastäo cultural somos desse jeito,para cada mercado existe um tipo de blend, o brasileiro prefere näo ter trabalho, fazer pesquisa, investimento e vender os graos para grandes processadores. Quanto ao preçoo, é uma briga que temos com as redes de supermercados, eles querem praticar uma margem de lucro muito grande, o que na nossa opiniäo inviabiliza o aumento de consumo.
    Acredito que com o advento da Biofach na Alemanha no ano que vem, cujo tema é o Brasil, possamos divulgar e colocar os nossos produtos no mercado mundial.

  2. Já tive vontade de abrir uma loja de produtos assim, pesquisando e desenvolvendo fornecedores nacionais e, quem sabe, estimulando as mudanças…. mas comércio realmente não é minha praia.

  3. Essa idéia é muito boa. Também já pensei em coisa parecida. Ainda mais porque tenho tido muita informação da falta de produtos organicos no Brasil. O potencial do Brasil é muito grande, mas realmente a população e os produtores precisam ser conscientizados. Conversei com a dona de uma loja desse tipo aqui em Edinburgh e ela me afirmou que a situação é semelhante aqui, com os pequenos produtores. Não compreendem a necessidade de certificação. Ainda existe muito a se fazer nesse sentido.

  4. Os produtores de castanha do Pará geralmente são ribeirinhos, que vivem em regiões remotas da Amazônia, extraem as castanhas de modo extrativista, e deslocam-se diversos dias de barco para comercializar seu produto, geralmente com barcos maiores que levam o produto até o mercado de Manaus.O quilo de castanhas tem um preço baixíssimo comprado diretamente com eles. O mesmo acontece com o Pau Rosa, madeira que serve como matéria prima para extração de óleo e produção do perfume Channel número 5. Os extrativistas passam meses na mata extraindo madeira e carregando nas costas, para depois vendê-la aos extratores de óleo por um preço que banca a farinha, o fumo e a pinga. Das toras de pau rosa extrai-se o linalol, óleo que é embarcado de Manaus para a Europa, Japão e estados unidos. Um litro do extrato de pau rosa sai da usina por R$15,00; e de Manaus para o exterior a R$ 30,00. O patrão que comanda os caboclos no mato também é comandado por outro patrão, o exportador e financiador, que adianta o dinheiro e depois cobra em óleo de pau rosa.

    Os extrativistas da Amazônia estão interessados em comprar óleo, sal, açúcar e san’dalias havaianas. Grande parte não tem o menor conhecimento sobre o “Mercado”, força propulsora de todas as atividades humanas. Quem já esteve na Amazônia sabe que alí é um caso totalmente a parte, devido à grande dificuldade de deslocamento, a cultura local e, de certa forma, a distância deste mercado que nos referimos acima.

    No entanto, existem diversas iniciativas organizando cooperativas de extrativistas e de produtores, para agregar valor aos produtos e comercializá-los globalmente. Uma destas grandes iniciativas é o FACES do Brasil (Fórum de articulação do comércio ético e solidário), que está organizando alguns casos piloto justamente na região amazônica.

    Quem quiser saber mais, acesse http://www.facesdobrasil.org.br

  5. Concordo com você, Roberta; sobre a frustração de não encontrar produtos orgânicos e/ou fair trade nas prateleiras européias, enquanto nossos colegas latinos estão fazendo isso a algum tempo. As frutas que você citou (limão tahiti e papaya) com certeza são provenientes de grandes produtores convencionais do Brasil.

    Realmente também é frustante saber que o Brasil tem uma das maiores biodiversidades do planeta e, no entanto, só tem olhos para os grandes “cash crops”. Creio que é uma questão cultural, de saber observar a importância e o potencial das diferentes escalas de produção.

    Sou muito otimista a esse respeito. Ano passado estive na SANA, em Bologna, que é uma feira muito parecida com a Biofach. Estive junto com Brasileiros que montam Stand lá todo ano. Os produtos brasileiros fazem muito sucesso, e a intenção da organização da feira era fazer um pavilhão inteiro para o Brasil, este ano. Creio que a coisa vai estourar por aqui em breve.

    O que sei também é que grande parte do café orgânico brasileiro é exportado para o Japão.

  6. Fico indignada que brasileiros ajudem a descaracterizar nossos produtos como vocês estão fazendo com a CASTANHA-DO-PARÁ, chamando-a de castanha do brasil.

    Algum dia, roubarão, plantarão na África, no Caribe, na Ásia ou sabe Deus onde e simplesmente chamarão ‘castanha da áfrica’, ‘castanha do caribe’, ‘castanha da ásia’ já que brasileiros aceitam e até ajudam a espalhar a violacão de nossa cultura como querem estrangeiros e alguns brasileiros por interesses escusos ou mesmo por ignorância em não perceberem o jogo maquiavélico de descaracterizar, generalizar para poder roubar.

    Então já podem chamá-la de ‘castanha-da-bolívia’ já que a Bolívia detém 80% do mercado.

    Que pena! Espero que roubem TUDO deste paísinho e que breve nem mesmo exista Brasil para que brasileiros aprendam a valorizar e respeitar suas raízes.

    Que vergonha!

  7. Aqui na cidade se Sena Madureira no Acre, não é diferente do que você descreve a cidade com 103 anos, ainda não tem uma fábrica de processamento de produtos da floresta tais como: Óleo da Castanha da Amazônia, açaí, patoá, burití, abacába, abate, copaíba e etc. O que temos é: Desmatamento, plantio de capim e criação de gado, aplicação de desfolhante que compromete o lençol freático e o extrativismo madeireiro, que derruba muitas árvores se aproveita pouco, e ainda se contamina a área do entorno com óleo lubrificante, caçam os animais silvestres prejudicando os moradores locais e por aí a fora. E quem faz? Políticos, autoridades e a população em geral. A fiscalização feita por órgãos ambientais é ineficiente.

  8. PARA CONCLUIR:A castanheira, (árvore que produz a castanha da Amazônia) é derrubada para se fazer madeira quadra para casas, currais e ainda entra clandestinamente na cidade durante à noite, transportada por barcos e caminhões.É uam região onde os ricos ficam mais ricos e os pobres cada vez mais pobres…

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.