Consumo Responsável

Publicado por em jul 19, 2004 em Blog | 1 comentário

Fonte: Revista Planeta

Aos poucos vem surgindo no mundo um movimento que busca conscientizar empresários e cidadãos comuns da necessidade de se consumir não só de forma comedida, mas também se levando em conta o ciclo de vida de cada produto.

Por Milton Correia Junior
Luciana de Francesco

Nos dias de hoje, consumir, cada vez em maiores proporções, é sinônimo de felicidade. Impelidos pela necessidade de vender seus produtos, os fabricantes gastam grandes quantias de dinheiro com propaganda, para incutir esse conceito na população. Porém, o consumo irresponsável está colocando o planeta em risco.

Quando compramos algo sem nos preocuparmos como foi feito e o destino que terá depois de usado, estamos colaborando, sem nos darmos conta, para degradar o meio ambiente. Atualmente, com a vida agitada que as pessoas levam, sobretudo nas grandes cidades, o tempo é curto e quase todos querem fazer as coisas da maneira mais rápida possível. Assim, embalagens de plástico, metal e vidro vão todas juntas para o lixo, e até mesmo acompanhadas de produtos com alto teor tóxico, como pilhas, baterias, inseticidas e tintas. Da mesma forma, roupas, móveis e outros tipos de produtos são comprados sem que nos preocupemos em saber se aquilo foi feito sem agredir a natureza ou se não se utilizouna sua fabricação trabalho escravo ou mão-de-obra infantil, por exemplo. Água e energia, por outro lado, são desperdiçadas, pois há a sensação de que nunca irão faltar.

Essa situação, no entanto, tem que mudar, pois, ao contrário do que se pensou durante séculos, a Terra não é uma fonte de recursos inesgotáveis. Segundo os cientistas, se as coisas continuarem do jeito que estão, com seis bilhões de habitantes, o planeta poderá entrar em colapso. Outro agravante: além de não trazer a felicidade prometida, o consumo desordenado e exagerado é uma utopia, pois grande parte da população não tem ou terá acesso a ele, originando frustrações e conflitos sociais, como roubos e violência.

Com o objetivo de tentar reduzir esses fatores negativos, está surgindo um movimento que busca conscientizar o consumidor para que ele passe a fazer a sua parte na construção de um planeta com melhor qualidade de vida e uma sociedade mais justa. Algumas das chamadas organizações não-governamentais (ONGs), como a WWF, o Instituto Akatu, o Greenpeace e outras entidades preserva-cionistas, estão engajadas nessa luta. Ao mesmo tempo, em busca de consumidores conscientes, muitos empresários estão colocando no mercado produtos que recebem certificados de origem. Já existem até mesmo empresas que dão consultorias a outras que queiram lançar produtos social e ecologicamente corretos.

Os especialistas em meio ambiente, por sua vez, também estão exercendo um papel fundamental nessa luta. É o caso da ambientalista e consultora socioambiental Gina Rizpah, docente da Faculdade de Educação Ambiental do Serviço Nacional do Comércio (Senac), de São Paulo. Gina também é presidente do Instituto Pró-Sustentabilidade e especializada em coleta seletiva de lixo. Segundo ela, todos podem fazer a sua parte. Os empresários, por exemplo, devem implantar uma produção mais limpa, aproveitando os resíduos industriais, economizando energia elétrica, reciclando água no processo produtivo, fazendo coleta seletiva e apoiando programas ambientalistas. Também é importantíssimo que dêem um destino adequado àquilo que produzem, se responsabilizando pelo seu recolhimento após o uso pelo consumidor. Da mesma forma, devem se preocupar com as atividades da comunidade na qual a empresa está inserida, criando e incentivando projetos socioambientais.

Já o cidadão pode fazer a sua parte consumindo apenas o necessário e evitando o desperdício de combustível, água, eletricidade e alimentos. Além disso, deve valorizar materiais que podem ser reutilizados ou recicla- dos. É preciso exigir qualidade e du-rabilidade dos produtos, recusando aqueles que agridem a saúde e o meio ambiente.

Da mesma forma, deve ter cuidado com o lixo, evitando jogá-lo no chão, pela janela do carro, em terrenos baldios e em beira de córregos ou rios. O lixo deve ser colocado em sacos plásticos secos, bem fechados e um pouco antes do horário da coleta, a fim de que animais não rasguem a proteção. O melhor é não colocá-lo num mesmo recipiente, pois, quando separados, plástico, metal, papel e vidro podem ser entregues para o programa de coleta seletiva da cidade ou doados para catadores ou cooperativas. Quem mora em casa com quintal também pode transformar o lixo orgânico em adubo.

“Como consumidores responsáveis, temos de nos preocupar em saber como um produto foi fabricado e como ele será descartado, o chamado ciclo de vida.”, explica Gina. Portanto, é fundamental ler atentamente os rótulos, que, no seu entender, deveriam ser de- talhados ao máximo.

Outra questão importante é a das embalagens, pois o consumidor não se dá conta que determinados filmes aluminizados que envolvem biscoitos e salgadinhos, por exemplo, não são recicláveis. Deve-se sempre dar preferência a produtos cujas embalagens possam ser recicladas. Por outro lado, está havendo um uso excessivo de embalagens descartáveis — fôrmas de alumínio, garrafas pet de plástico para refrigerantes, garrafas one way para cerveja, sacos de plástico, etc. Por isso, Gina se diz uma defensora da volta da embalagem retornável, fundamental para a preservação do meio ambiente.

De sua parte, o fabricante da embalagem deveria tomar medidas para recolher as embalagens utilizadas, impedindo que degradem a natureza. “Deveria estar embutida na embalagem uma taxa que garantisse sua coleta pelo fabricante, a exemplo do que já acontece em países da Europa. Sei que o assunto é polêmico, pois seria mais uma taxa sobre as que já existem em número excessivo. Mas essa seria a melhor maneira de garantir o destino das embalagens usadas e o governo teria como controlar esse processo”, assegura a ambientalista.

Além da consciência ambiental e social, Gina Rizpah acredita também na “conscientização pelo bolso”. “Quando as pessoas vêem o custo que aquilo tem para elas, sentem-se ainda mais motivadas em colaborar e a exigir seus direitos”, afirma.

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Um Comentário

  1. Consumo Responsável ou Consumo Consicente?
    O consumo consciente é aquele em que o consumidor tem consciência do que está fazendo, com todas as implicações.
    Há uma tendência de desenvolver o consumo consciente,com a informação do conteúdo. Já se exige, nos alimentos o conteúdo calárico, se contém glutem ou não.
    Agora há campanhas para informar o conteúdo de impostos.
    É preciso evoluir para informar o conteúdo de trabalho, dividido entre o nacional e o externo.
    E, no campo, ambiental, a informação sobre o tempo de degradação da embalagem ou do próprio produto.
    A partir do conhecimento, o consumo poderá será responsável ou não.
    é díficl se exigir comportamento responsável, quando não se tem a informação objetiva da irresponsabilidade.

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